sábado, 1 de maio de 2010

"O trabalho liberta"

Gente, desculpem-me, mas esse post é bem pesado! Quem não tiver estômago, não leia. Mas eu precisava compartilhar com alguém a tristeza e a revolta que fizeram parte do meu dia hoje na Alemanha. Fui até Dachau, cidadezinha que fica colada em Munique. Dachau ficou conhecida e ainda hoje é lembrada no mundo inteiro, infelizmente, por ter recebido o primeiro campo de concentração da SS, em 1933, apenas poucas semanas depois que Adolf Hitler foi nomeado chanceler. O campo construído, a princípio, para prisioneiros políticos, virou modelo para os outros inúmeros instalados até o final da Segunda Guerra Mundial na Alemanha e em outros países anexados pelas forças nazistas. Segundo informações do próprio memorial montado no local, o campo era uma escola da violência para os soldados da SS. Em doze anos de existência, ele recebeu 200 mil pessoas de toda a Europa. Mais de 43 mil delas morreram. Como é difícil entrar num lugar com uma história dessas!

Agora, imagine para esses prisioneiros políticos, judeus, ciganos, homossexuais e estrangeiros, como não era entrar pelo portão da foto acima, com os dizeres: "Arbeit macht frei", algo como "O trabalho liberta". Era por ali que eles entravam - milhares para nunca mais sair. Os presos eram obrigados a trabalhar pesado, sem direito a qualquer espécie de dignidade. Assim que chegavam, deixavam de lado os pertences e de ser pessoas, passavam a ser números. Dormiam em galpões, como animais.

Humilhados, torturados, usados como cobaias em experimentos médicos. Fugir era impossível. Sete torres vigiavam as cercas do campo. Qualquer um que chegasse no limite era morto a tiros. Muitos iam até lá só para colocar um fim ao sofrimento.


Os mortos eram empilhados em montanhas até serem cremados.
 A foto de cima é uma reprodução de uma das imagens expostas no memorial

De dois a três corpos eram queimados de uma vez em cada forno crematório. Eles também eram usados para incinerar pessoas vivas.

Dachau recebeu também uma câmara de gás, mas, não se sabe bem o motivo, ela não chegou a ser utilizada.

Como os corpos eram tantos e houve falta de carvão, os nazistas enterraram milhares de corpos em covas coletivas. Hoje há placas no local em homenagem a essas vítimas.

Nas celas do chamado Bunker, ficavam presos "especiais", os considerados políticos. Se é que dá para dizer isso, eles ficavam melhor instalados do que os comuns. Recebiam comida e água com um pouco mais de frequência. Salas de tortura estavam instaladas nesse local. Muitos desses prisioneiros morreram entre essas paredes.

Um desses presos foi um homem que tentou matar Hitler, em 1938, para evitar a guerra mundial. Na hora em que a bomba explodiu, Hitler tinha saído da sala onde ocorria uma cerimônia do Partido Nazista. Que horror dizer isso, mas, bem que ele poderia ter conseguido atingir o alvo naquela ocasião!

Bem, nas palavras de um monumento no local: "Nunca mais".

Um comentário:

  1. Fiquei muito emocionada com esse seu post, sempre me pergunto como seres humanos fazem isso com outros seres humanos.

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